Coragem para ser quem somos

quarta-feira, maio 23, 2018

Foto: Zara Walker
Lá estava eu, debruçada, encantada com a pequena Emma vivendo o seu mundo particular. Aquela cena ficou na minha cabeça durante dias. Emma tem 6 anos e nós é que precisamos aprender com ela.

Emma enxergava poesia em tudo

Enquanto eu olhava para uma televisão, ela via uma tela grande onde seus amigos entravam de vez em quando para estrear o seu novo e brilhante espetáculo. Os dias de Emma nunca eram monótonos ou sem vida, porque ela criou o seu próprio mundo, que não era fantasia, na verdade, era bem real para ela. Ela até se queimou enquanto fazia uma macarronada em seu restaurante.

Emma era livre para ser o que queria

Ela era médica, cuidava dos doentes, fazia curativos e dava palavras de consolos, que curava qualquer tristeza. No minuto seguinte, ela pegava suas panelas e abria seu próprio restaurante, que obteve tanto sucesso que tinha até fila na porta de entrada. Depois, ela era apenas uma garotinha normal, brincando de dominó com seu avô. Ela não se limitava a ser uma coisa só. Ela não temia em mudar, não questionava, era o que dava vontade de ser, o que a deixava feliz. Se ela estava cansada de exercer um papel, ia lá, entregava o roteiro, esquecia todas as falas ensaiadas e começava a criar um novo personagem.

Emma respeitava as particularidades de cada um

Enquanto os clientes esperavam sua vez na porta do restaurante, ela narrava a personalidade de cada um. O coelho apressadinho, a Barbie prestativa, a tartaruga velhinha que tinha preferência e a recepcionista que tratava todos com cordialidade. Ela dizia as falas de cada um, com entonação e jeitos diferentes de se expressar. Únicos. Respeitados. Em seus defeitos e qualidades.

Emma fazia festa com tudo

Tanto fazia para ela passear no sítio e pegar mangas com seu avô ou viajar para um resort e passar o dia na piscina. Ela jogava no Playstation 4 com a mesma empolgação que jogava no videogame antigo, que nem existe mais para a venda. Ela sabia se alegrar com o luxo e com a simplicidade, da mesma forma. Ela sabia fazer a sua própria felicidade, não se limitava ao espaço, às situações, nem às pessoas ao seu redor. Ela se bastava. Era o seu próprio sol.

Porque crescemos e deixamos de ser assim? Onde foi que nos perdemos? Quando foi que deixamos nossa pureza e beleza de lado? Quando foi que deixamos de sermos nós mesmos para ser o que os outros esperam de nós?

Precisamos aprender a ser mais como a Emma. Deixar em um canto todos os discursos que fomos forçados a aprender. Esquecer todos os passos ensaiados e prontos, porque, simplesmente, alguém disse que tinha que ser assim.

Ah, precisamos encontrar nossas próprias cores para alegrar o cotidiano, muitas vezes, triste e com obrigações para serem cumpridas. Precisamos ser livres para ser quem somos e permitir a mudança de rota. Entender que está tudo bem deixar a faculdade de Direito para cursar Cinema. Tudo bem querer seguir outra profissão ou começar o seu próprio negócio. Porque, a vida é muito curta para ficarmos presos a um papel que traz mais dor que felicidade.

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