Sobre feridas e o que elas tem para nos ensinar

quarta-feira, março 28, 2018

Foto: Allef Vinicius
Era uma noite de terça feira, quando alguém começou a desenterrar todas as mágoas e feridas que causamos uns nos outros. Por imaturidade, por birra, por orgulho, por ser quem somos (ou era, na época).

Em um timing perfeito, eu diria, ela assistiu Friends naquele mesmo dia e Rachel perguntava ao seu date como ele superou o divórcio, ela não tinha superado um relacionamento que não aconteceu (só nos pensamentos dela), dói amar sozinha, né? Rachel sabia bem disso, o outro com coração partido também sabia e, assim, ele disse que a história precisava de um ponto final para ambos perceberem que realmente chegou ao fim. Depois, partir para outra. seguir o baile. esquecer. deixar no passado. oferecer à Iemanjá. whatever.

Mas, colocar um ponto final é um processo:

Você precisa ter coragem para iniciar a frase  —  quantos sentimentos estão guardados em seu coração e vez ou outra você toca neles só para saber se ainda dói? Encare-os. Coloque-os para fora. Comece o seu processo.

Você precisa de autoconhecimento para escrever uma boa argumentação  —  é aquela história “se você não acredita em si mesmo, quem vai acreditar?” Não adianta querer se convencer de uma mentira, não adianta querer vender um produto que não existe na sua prateleira emocional. Para ter validade, precisa ser real. Conheça os seus sentimentos e lide com eles. O que ainda te incomoda? O que ainda precisa ser perdoado? Porque esta ferida continua aberta? E o que falta para que ela seja curada? Repetindo: Conheça os seus sentimentos e lide com eles.

Você precisa fundamentar o seu argumento  — Faz parte da fundamentação o questionamento. Será que eu realmente superei esta mágoa do meu passado? Pergunte a quem entende do assunto: o Pai de toda sabedoria (e a você mesma). Construa bases fortes para que não sejam derrubadas na primeira ventania.

Você precisa concluir o assunto  —  Ao final, o que você aprendeu com tudo isso? O que de bom ficará para a posteridade? Encontre a solução do problema. Faça o que ainda precisa ser feito para acalmar o seu coração (e o que não estiver ao seu alcance, entregue ao Senhor). Depois, coloque tudo em uma balança. Visualize o peso final. E ponha o ponto final.

A cura emocional é um processo. Muitas vezes, lento e doloroso. Cada marca e ferida em nosso peito traz uma história consigo: uma confiança quebrada, um relacionamento que não deu certo, sonhos que não saíram do papel ou frustrações que se instalaram sem data de partida. Porém, por mais doloroso que tenha sido ou esteja sendo, você nunca sairá da mesma forma que entrou. Você nunca mais será o mesmo. Você sairá melhor. Mais Forte.

"As lições mais valiosas são aprendidas nas frustrações. Não nos momentos felizes e leves. Mas, nos difíceis, naqueles que parecem nos esmagar e apertar contra a parede." Francine Veríssimo

Lembre-se: As suas marcas são a sua identidade. Elas definiram quem você é hoje. Talvez mais madura. Mais forte. Mais capaz. Mais segura. Sempre mais. E também moldarão o seu caráter amanhã, afinal, sempre encontraremos pedras em nosso caminho. Mas, que possamos encontrar conforto no amanhã, em saber que tudo passa, em saber que depois da recuperação estaremos melhores. Prontas.

You Might Also Like

0 Comentários